André Lloyd, Cecília Batista, Lorri Sanfilippo – EMB – Edocomunicação
Os Simpsons
Os Simpsons
INTRODUÇÃO
Desde sua criação no final da década de 80, os Simpsons foram criados como um show da Fox, que buscava satirizar de forma humorística a sociedade em todos seus aspectos, notavelmente pelo exagero de estereótipos.
Cada episódio dura cerca de 20 minutos, sendo geralmente dividido em duas ou mais histórias paralelas, que em um determinado ponto se ligam para formar uma história principal.
As personagens fazem uma caricatura grotesca da sociedade, mostrando de forma bem definida as funções existentes nela. O mundo dos Simpsons geralmente se resume a uma cidade americana genérica de Springfield (genérica devido ao fato de existirem dezenas de cidades chamadas Springfield nos EUA).
A família dos Simpsons pode ser caracterizada como um exagero da visão típica de uma família de classe média baixa.
O pai, Homer, é um estereótipo exato do trabalhador proletariado, ele sai de manhã para trabalhar em seu carro velho, sem luxo, e passa o dia todo trabalhando em uma fabrica de energia nuclear. Seu trabalho é monótono e é composto por manusear alavancas, um trabalho sem complexidade. Ao terminar sua jornada, Homer vai ao boteco, onde encontra com os amigos e bebe.
Sua esposa, Marge, mostra a visão típica da mulher caseira, que arruma a casa, cozinha a comida, cuida das crianças e tem um interminável amor pelo marido, independentemente de o que ele fizer.
Bart, o filho mais velho do casal, é uma caricatura do “moleque”, que não busca avançar de forma alguma nos estudos, não pode ser controlado por ninguém, e causa inúmeros problemas.
Já Lisa, a irmã de Bart, é uma caricatura de uma menina altamente inteligente quando colocado em meio de pessoas mais simples. Lisa é extremamente estudiosa, mas não é de forma alguma adepta ao mundo social. Sua intelectualidade não é reconhecida pelos outros em seu meio.
Maggie, a filha mais nova da família é ainda um bebê, que não se comunica e não tem uma função muito específica na família.
Outros exemplos de personagens que demonstram uma função da sociedade são o Mr. Burns, o chefe de Homer e profundamente capitalista republicano, Crusty, o palhaço dono de diversas micro-empresas que geralmente operam na marginalidade. Sua rede de hambúrgueres é muitas vezes usada para criticar a industria de fast-food americano. O Dr. Nick, que faz uma crítica aos praticantes de medicina, especificamente aqueles que não adquiriram uma graduação adequada, Itchy & Scratchy, que aparecem como um programa de TV, criticam a violência presente nos cartoons e Ned Flanders, usado na figura do vizinho perfeito e fanático religioso.
ANÁLISE – TEMPORADA 20, EPISÓDIO 21: “Coming to Homerica”
O episódio inicia com um auxiliar do palhaço Krusty discutindo com ele sobre o que fazer com um de seus produtos manufaturados, um teste de gravidez, que falha 20% das vezes. A venerada solução foi re-empacotar o produto como uma colher para café e enviá-los para as Filipinas, referenciando a industria farmacêutica, que em múltiplas ocasiões foi encontrada enviando medicamentos expirados ou ineficazes para as regiões asiáticas.
Após solucionar este problema o auxiliar apresenta um novo problema: A companhia de hambúrgueres de Krusty está sofrendo críticas por somente apresentar produtos danosos à saúde. A solução apresentada pelo palhaço é de “Jogar uns vegetais dentro de um sanduíche, cobrir com uma embalagem verde e vender pelo dobro do preço”.
A crítica nesse caso é direta, e é direcionada as tentativas das companhias de fast-food americanas, que apresentam um cardápio pouco saudável, e ao invés de melhorar seus pratos já existentes, criam um novo produto que contém algum vegetal, e com isso criam a imagem de serem companhias que visam a melhoria da saúde publica e mundial.
Adicionalmente, Krusty pede que seja colocada nicotina nos hambúrgueres das crianças, em uma tentativa de viciar elas em seu produto. A cena acaba e parte para um comercial para o novo hambúrguer, que mostra crianças felizes brincando, abraçando suas mães, com um fundo de natureza, imagens que buscam dar uma imagem de família e de natureza para a companhia.
Nessa cena é demonstrado o efeito do marketing na sociedade, que cria uma imagem positiva para qualquer companhia, independentemente das reais intenções desta.
A história prossegue, e todos ficam doentes devido a um problema com a cevada que foi usada no hambúrguer. Essa é uma possível referencia aos casos recentes de intoxicação alimentícia nos EUA, relacionado em parte com o Mc. Donald’s, que transmitiu parte do alimento infectado em sua alface.
A fonte da cevada infectada foi de uma cidade próxima a Springfield, Ogdenville, que entra em colapso econômico quando o comercio da cevada cai. Isso leva a uma enorme imigração para Springfield.
Nesse ponto se inicia a crítica a um dos maiores problemas atuais dos EUA, a imigração, nesse caso representado pelos cidadãos de origem nórdica que vem de Ogdenville. Os cidadãos de Ogdenville fazem uma clara substituição pelos imigrantes latinos.
No inicio do processo de imigração, os Ogdenvillenses são aceitos de braços abertos, e passam a fazer todas as possíveis tarefas manuais e tediosas que os cidadãos de Springfield não querem exercer. Marge, que até então fazia todos os trabalhos caseiros sozinha, contrata uma empregada imigrante.
Ao entrevistar a empregada Marge pergunta se “vocês tinham cozinhas de onde você veio?”. Tais perguntas satirizam a visão primitiva que muitos americanos tem da América Latina.
Bart fica envolvido em um acidente de skate quando ele busca provar que ele é melhor no esporte do que os imigrantes, e como resultado do acidente tem de ser levado no hospital.
Ao chegar no hospital, observa-se que este está saturado de imigrantes, obrigando a família de Bart a preencher um formulário em Norueguês, pois os que estavam em inglês acabaram.
Esse ponto da história mostra uma das mais fortes críticas a imigração, que é a saturação dos sistemas públicos pelos imigrantes, ao ponto de que os habitantes originais não possam mais usufruir dos serviços que eles mesmos construíram ao longo de centenas de anos, e cujos custos de manutenção ainda são pagos por eles.
De forma semelhante ao que é observado nos EUA em relação aos imigrantes, os Ogdenvillenses tornam-se a culpa para todos os problemas da sociedade. Bart fala que ele foi chantageado para fazer as manobras de skate que resultou em seu acidente, e após ter chegado no trabalho atrasado e bêbado, Homer é demitido e coloca a culpa nos imigrantes por “[fazerem-no] beber aquelas bebidas deles”.
A comunidade resolve prevenir a imigração, primeiro ao colocar policiais para bloquear as entradas de Springfield, e depois a criação de um grupo de Justiceiros (cidadãos comuns que passam a executar as leis por si mesmos). Ambas as tentativas falham, e é apresentada uma nova solução: A criação de uma muralha cercando a cidade.
A construção da muralha é feita pelos Ogdenvillenses, pois nenhum cidadão de Springfield sabe como construir um muro. Durante a construção do muro é mostrado que os dois lados são semelhantes, tendo interesses semelhantes, idéias semelhantes e problemas semelhantes.
O episódio é concluído quando, após o termino da construção da muralha, ambos os lados percebem que sentem saudades um do outro, e os povos das duas cidades se unem em festa.
ANÁLISE – TEMPORADA 20, EPISÓDIO 13: “Gone Maggie gone”
Os Simpsons tiveram seu primeiro episódio transmitido em 1989 nos Estados Unidos, a série tem como protagonista uma família de classe média baixa, composta pelo pai, Homer, Marge, a mãe, Bart, o filho, Lisa e Maggie, as filhas. O programa tem como objetivo fazer críticas de maneira humorística quanto ao comportamento humano e a sociedade americana.
O episódio a ser analisado, “Gone Maggie gone” da vigésima temporada dos Simpsons, se inicia com o anúncio de um eclipse solar em Springfield. No momento do eclipse Homer quebra sua câmera obscura que o permitiria olhar para o céu sem sofrer nenhum dano a sua visão, Marge como a mulher dona de casa que sempre serve ao marido, entrega a Homer sua câmera e ao olhar para a eclipse sem proteção fica cega. No hospital o médico ordena que seus olhos fiquem tapados por duas semanas e que nada lhe cause estresse.
Com a mulher machucada, Homer toma conta da casa, o que resulta em uma grande infestação de ratos. Os milhares de ratos na cozinha controlando Homer pelos cabelos é uma parodia ao filme “Ratatouille”. Homer então leva Maggie e o cachorro a loja de veneno e na volta para casa a bangunça entre Maggie e o cachorro causa uma batida em que o carro cai da ponte.
Para atravessar o rio com o pequeno barco sem deixar Maggie sozinha com o veneno, ou o cachorro sozinho com o veneno, ou Maggie sozinha com o cachorro, Homer se depara com um desafio. Esse desafio é uma referência a um jogo americano existente desde o século IX, chamado “fox, goose and bag of beans puzzle”.
Homer primeiro leva Maggie ao outro lado do rio e a deixa na porta de um convento, onde pensou que a menina estaria salva. As freiras então pegam Maggie e Homer volta para a casa sem a menina. Para recuperar a irmã Lisa resolve infiltrar no convento, tendo que resolver uma série de desafios.
Já dentro do convento Lisa procura por Maggie no berçario, mas a menina não está lá. Ao perguntar para freira se aqueles eram todos os bebês, a freira responde: “Looking for more unwanted babies, are ya? Well, next week is nine months after the prom they will be stuck up to the ceiling!” (Procurando por mais bebês? Bom, semana que vem será nove meses após a formatura, teremos bebês até o teto) A fala da freira satiriza as decisões dos jovens americanos que acreditam que na noite de formatura deve-se perder a virgindade.
Começa então a saga de Lisa, a menina segue várias pistas que a levariam à irmã, o desafio deixa Lisa feliz por poder usar seu intelecto que nem sempre apreciado pela família, para encontrar a irmã e descobrir o grande segredo. A primeira pista está na frase “Quaerite deum in corde et anima” que a menina traduz para “seek god with heart and soul” (procure deus com o coração e a alma). “Heart and soul’ é também uma música, o que leva Lisa ao piano para tocá-la, a música faz com que se abra um calabouço, todas os desafios fazem parodia como filme “The Da Vinci code”. Mais um série de pistas levam Lisa a procura do maior anel em Springfield, sua busca a leva a um sino no topo de uma torre, fazendo uma parodia com o filme “National treasure” através do sino da liberdade do filme. Na torre Lisa encontra com Comic book guy e Principal Skinner, que lhe contam sobre o grande segredo, a história consistia em uma freira que no seu leito de morte teve uma visão de uma jóia que traria paz e harmonia ao mundo. A história da jóia logo se espalhou e Benjamin Franklin e George Washigton iniciaram uma guerra falsa para procurá-la, o que causou a migração das freiras para Springfield.
Depois de descobrir que o sino da torre era feito de papel, Lisa descobre que o maior anel de Springfield está no letreiro com o nome da cidade Sp”RING”field (ring: anel). Chegando ao letreiro eles encontram com Mr. Burns e Smithers, que também procuram a jóia. Neste momento foi mostrada a ganância do ser humano, alguns procuravam a jóia nao pela paz que traria, mas sim por sua riqueza.
Lisa descobre então uma frase escrita no letreiro que ao desembaralhar as letras percebe que ela era a jóia que traria paz e harmonia. Ao chegar no convento Lisa anuncia sua descoberta, mas, logo uma freira lhe diz que as palavras foram desembaralhadas de maneira errada, a jóia era na verdade Maggie.
Maggie é colocada no trono, trazendo imediatamente a paz, mostrando a visão idealizada da igreja com relação a paz e harmonia entre todos. Mas, Marge ao descobrir que a filha está em um convento a tira de lá, mesmo acreditando que podia estar sendo egoísta, Homer a diz que não é necessário se preocupar pois havia deixado seu outro filho lá, Bart. Bart nem sempre foi o filho exemplar e fazia muitas travessuras, por isso seus pais não sentiram remorso de deixá-lo lá. Porém, quando Bart senta no trono, o inferno começa.
CONCLUSÃO:
É possível dizer que a famosa família dos Simpsons retrata muito bem várias famílias da nossa sociedade. A pergunta então é, colocando tanto humor em assuntos sérios como sedentarismo, obesidade, brigas, falta de respeito, estamos permitindo que esses problemas se tornem comuns e normais?
Muitas crianças assistem a série e podem acreditar no estilo de vida e atitudes que são transmitidas. Talvez esse não seja o melhor exemplo para as crianças que irão liderar no futuro e nem para os adultos procurando por desculpas para agir de maneira machista, gananciosa, desrespeitosa, estúpida, entre outros.
Porém, há quem diga que o exagero do humor no programa, retrata o quão ridícula algumas atitudes são, conscientizando aqueles que até então não percebiam que estavam inseridos na mesma situação.
SUPIMPA³ .. Heuaheuahuea
ResponderExcluirmuito bom o trabalho!
Daniel McGinnis
Ótimo trabalho, muito bem escrito e que conta detalhadamente a brilhante e engraçada história dos Simpsons. Parabéns
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